segunda-feira, 14 de julho de 2008






"Fotografar é colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração"


Henri Cartier Bresson

Provérbio Árabe.



“A Terra onde as pedras te conhecem, é mais importante que a terra onde as pessoas te conhecem.”

sábado, 12 de julho de 2008

Analogias (ou nem por isso).


Já disse e repito que ainda não me consegui converter ao formato digital da fotografia. Nesta foto tentei conciliar os dois métodos de obter imagens. Utilizei o visor da minha velha Pentacon Six, 6X6, para enquadrar a imagem que capturei através de uma impessoal máquina digital. Bem sei que posso estar a ser injusto ao chamar impessoal à minha maquina digital que tantos prazeres me tem proporcionado, mas ainda estou na fase de antipatia pelos pixels, mesmo sendo cerca de 90% das minhas actuais imagens obra do formato digital. Repito ainda que não sou um bom fotógrafo, nem sequer fotografo. Sou um apaixonado pela fotografia. Li algures que o grande mestre Sebastião Salgado não consegue converter-se ao digital, pelo mesmo motivo que não conseguiu converte-se à película reversível (slides). Os slides apresentados numa mesa luminosa não contam a história do momento em que captamos a imagem, com a mesma intimidade com que uma folha de contactos de película reversível nos a pode contar. Se a película reversível for a preto e branco, melhor ainda. Já agora que a objectiva seja 35mm ou 50 mm, porque são nesses ângulos que eu vejo a vida. Preciso de um certo “decante” das imagens latentes na película. O digital mostra-me logo o resultado da imagem. Não permite sonhar. Mesmo nas polaróides era necessário algum tempo de espera, até a imagem nos aparecer correcta. Se alguém duvida, que assista ao filme “Alice Nas Cidades, de Wim Wenders. Deve se por isso que guardo os cartões de memória duas ou três semanas, antes de os descarregar no computador. O nosso subconsciente é tramado. É uma espécie de batota. Emília, minha única leitora, estas últimas palavras vão para si. Obrigado pelo incentivo e pelo excelente espaço que criou na minha (nossa) cidade. As minhas fotografias são feitas com amor mas estão longe do fabuloso. Gentileza sua. Falta-me a educação visual. Preciso de saber olhar. É um dos muitos motivos porque preciso de ir ao seu (nosso) espaço “História e Arte”. João Ferreira e outros(as) são sempre uma excelente fonte de inspiração para mim. Depois quero conhecer a minha cidade, fotografar a minha cidade, reconciliar-me com a minha cidade.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O Objecto



"Há que dizer-se das coisas o somenos que elas são.

Se for um copo é um copo se for um cão é um cão.

Mas quando o copo se parte e quando o cão faz ão ão?

Então o copo é um caco e um cão não passa dum cão.

Quatro cacos são um copo quatro latidos um cão.

Mas se forem de vidraça e logo forem janela?

Mas se forem de pirraça e logo forem cadela?

E se o copo for rachado?E se o cão não tiver dono?

Não é um copo é um gato não é um cão é um chato que nos interrompe o sono.

E se o chato não for chato e apenas cão sem coleira?

E se o copo for de sopa?

Não é um copo é um prato não é um cão é literato que anda sem eira nem beira e não ganha para a roupa.

E se o prato for de merda e o literato de esquerda?

Parte-se o prato que é caco mata-se o vate que é cão e escreveremos então

parte prato sape gato vai-te vate foge cão.

Assim se chamam as coisas pelos nomes que elas são."


Ary dos Santos

segunda-feira, 7 de julho de 2008

quarto norte.



Não sou bom fotógrafo, nem sequer fotógrafo. É uma paixão. Demorei em me converter ao digital. Ainda hoje sinto mais prazer em mexer nas minhas antigas máquinas mecânicas e em película do que em lidar com pixels. Sinto saudades do grão do Kodak Tri X e do Ilford HP5. Gostava da alquimia que saia do laboratório improvisado. É sempre mágico ver aparecer uma imagem. Ainda me lembro do meu primeiro negativo. Como não tinha ampliador, revelei o negativo e improvisei uma folha de contactos colocando o negativo em papel de fotografia, um vidro por cima e o abrir a luz da casa de banho por uma fracção de segundos. Na altura do primeiro banho de revelação, quando as pequenas imagens da fotografia começaram a aparecer, foi um momento inesquecível. Nunca tive essa agradável sensação no digital. Um dia destes vou matar saudades. Isto se ainda encontrar o meu velho Kodak Tri X no mercado. Não gosto muito de saudosismos, mas nisto da fotografia sim que sou.